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Sinclair e Spectrum

1989

O Spectrum do outro lado da Cortina

Sem acesso aos computadores ocidentais, a Europa de Leste e a União Soviética copiaram o Spectrum como nenhuma outra máquina, das fábricas estatais às placas montadas em casa.

Didaktik Gama, da cooperativa Didaktik de Skalica (Checoslováquia), feito entre 1987 e 1989.
Didaktik Gama, da cooperativa Didaktik de Skalica (Checoslováquia), feito entre 1987 e 1989.Foto: Thomas Vogt · CC BY 4.0 · Wikimedia Commons

Durante a Guerra Fria, o embargo do CoCom, o comité ocidental de controlo de exportações, dificultava a venda de computadores ao bloco soviético. Isso não impediu os países de Leste de desenharem máquinas próprias e de copiarem as ocidentais por engenharia inversa, e o ZX Spectrum foi, de longe, a mais copiada [1]. O Commodore 64 quase não aparece nesta história, provavelmente porque os seus chips à medida, o VIC-II e o SID, eram difíceis e caros de copiar [1].

Na União Soviética, o embargo foi aliviado em julho de 1984 para os computadores de secretária, e a Lei das Cooperativas de 1987 abriu caminho a uma multidão de pequenas empresas de hardware e software [1]. Os clones do Spectrum tornaram-se tão comuns, e tanta gente os montou e modificou à sua maneira, que é impossível contar todas as versões [1]. Um dos mais simples foi o Leningrad-1, de 1988, desenhado por Sergey Zonov com 44 chips comuns e compatível com 90 a 95% do software do Spectrum [3]; foi o mais barato de todos os clones feitos em série [5].

Não tinha fábrica: o Pentagon era montado por amadores de uma ponta à outra da União Soviética.

O mais famoso foi o Pentagon, desenhado por Vladimir Drozdov em 1989. Não tinha fábrica: era montado por amadores a partir de documentação que circulava livremente, e a placa foi copiada por toda a ex-URSS entre 1991 e 1996 [2]. O nome vem da forma da placa original, com um canto cortado na diagonal, que lhe dava cinco lados [2]. Foi o modelo mais comum, e o Scorpion, de Zonov, em São Petersburgo, era menos comum mas mais fiel ao original [1].

Placa do Pentagon 1024SL, uma versão muito posterior do Pentagon de 1989 (foto de 2004).
Placa do Pentagon 1024SL, uma versão muito posterior do Pentagon de 1989 (foto de 2004).Foto: Алексей Жабин · CC BY-SA 3.0 · Wikimedia Commons

Na Checoslováquia, a cooperativa Didaktik, de Skalica, fez o Didaktik Gama entre 1987 e 1989, com 80 KB de memória e uma ULA da Ferranti. Era tão procurado que havia listas de espera de vários anos. Seguiram-se o Didaktik M, em 1990, já com um chip soviético da Angstrem no lugar da ULA, e o Didaktik Kompakt, em 1992, com disquete de 3,5 polegadas integrada; a produção acabou em 1994 [4].

Na Roménia, a ICE Felix fabricou de 1985 a 1994 a família HC, do HC 85 ao HC 2000, desenhada originalmente por Adrian Petrescu [1], e a série CIP, de 1988 a 1993, chegou às 15 mil unidades [5]. Na Polónia, a Elwro fez o 800 Junior, de 1986, para as escolas [1]. Na Bielorrússia, em Brest, a fábrica do Byte ainda produzia em média 1 705 computadores por mês em 1992 [5].

Muitos destes clones continuam vivos: emuladores atuais, como o Fuse, reproduzem o Pentagon e o Scorpion [1], e há quem ainda hoje monte réplicas do Leningrad-1 a partir dos esquemas da época [3].

Linha do tempo

  1. HC 85 … HC 2000 (Roménia, 1985–1994)
  2. Elwro 800 Junior (Polónia, 1986)
  3. Didaktik Gama (Checoslováquia, 1987–1989)
  4. CIP (Roménia, 1988–1993)
  5. Leningrad-1 (URSS, 1988)
  6. Pentagon (URSS, 1989–1996)
  7. Didaktik M (Checoslováquia, 1990)
  8. Didaktik Kompakt (Checoslováquia, 1992–1994)

Fontes

  1. [1]Discovering Eastern European PCs by hacking them. Today (Bodrato, Caruso e Cignoni) · arXiv, 2019
  2. [2]Pentagon (computer) · Wikipedia
  3. [3]ZX Spectrum, Soviet Style: A 44-IC Clone You Can Build · Hackaday, 2025
  4. [4]Didaktik · Wikipedia
  5. [5]List of ZX Spectrum clones · Wikipedia

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